quinta-feira, 5 de novembro de 2009

São Paulo - Fase 3

Desde que mudei para São Paulo passei por algumas fases que hoje enxergo como ciclos de crescimento. Primeiro vim para cá sem saber direito onde pisar e conquistei meus primeiros amigos. Depois entrei em uma segunda fase onde uma parte desses amigos se afastaram, apesar de nos vermos todos os dias na aula, mas outros se tornaram muito especiais e aqueles que acabaram por perdurar para sempre.

Da primeira fase sobraram Li e Cuiabá. Na segunda surgiram Mari, Mumu, Nena, Sophis, além do fortalecimento de uma amizade que já trazia da cidade menor, iQ, que se tornou muito próximo, quase um irmão. Agora estou entrando em uma fase apreensiva nesse sentido. O teste do afastamento pós faculdade onde todo mundo tem que tomar seu rumo e tudo que lhe resta é torcer para que dê certo.

Não tenho mais Cuiabá e iQ no meu dia-a-dia e isso me mata. Lembro que a dois anos atrás nós três éramos inseparáveis, vivíamos na Bubu, aventuras que contei aqui no blog mais de uma vez. Era de segunda. Era de quarta. Era de sexta. E nos outros dias da semana estávamos jantando juntos ou um na casa do outro, sempre nos atualizando das escapadelas de iQ, dos meus dilemas profissionais e da vida glamurosa de Cuiabá.

E acima de tudo, nos interávamos uns dos outros e cuidávamos uns dos outros.

Agora estou sozinho em São Paulo. Cuiabá voltou para Cuiabá, apesar da alma paulistana que tem. Como muita gente, surtou na cidade grande assim que acabou a faculdade. É muita gente, muita competição, muito trabalho acumulado, muito stress. Não condeno quem decide voltar porque é uma decisão dolorosa de se tomar, mas confesso que jamais imaginei que ele voltaria. Sempre achei que seria meu irmão de cidade grande desbravando cada novo restaurante do momento que ele fazia questão de conseguir uma mesa.

iQ trocou de carro. Pegou um carrão. Após dois assaltos em menos de dois meses (antes, com o carro antigo, nunca tinha sido assaltado) decidiu voltar para nossa cidade. iQ sempre teve alma do interior. Ele gosta de chácara, de churrascos de fim-de-semana com os amigos, de receber todo mundo, de poder ficar bêbado sem se preocupar em voltar para casa, coisas muito difíceis de se ter em São Paulo. E eu o amava mais por isso, por essa alma de interior, de parceria a qualquer momento, de salvar a pele um do outro. iQ é "warm" e toda vez que eu o abraçava, sentia forte um gostinho da cidade menor. Viajar com ele até lá era delicioso.

Eles não estão mais aqui. Mantenho contato constante com os dois, mas não é a mesma coisa. A saudade é enorme. Chegando perto da sexta-feira o peito começa a latejar. Passávamos o tempo todo juntos e saber que não terei os dois em uma noite de bebedeira e risada pelas ruas de São Paulo me faz dar aquele suspiro triste de fim de dia, sabe?

Os outros amigos queridos estão em outros momentos em suas vidas. São Paulo fica vazia nos fins-de-semana já que todos os meus amigos vão encontrar os namorados ou ver os pais em suas cidades. Nenhum dos nomes que citei aqui são de São Paulo e essa coisa extremamente cosmopolita de ir ao parque e depois almoçar em um lugar caro só tem graça no primeiro mês.

Novos amigos? Muitos. Adoro todos eles. Mas ainda assim é complicado, já que meu divertimento à moda antiga era muito bom e muito "maternal". E cansa tentar agitar tudo denovo e construir tudo denovo. Talvez não seja esse meu momento.

Eu entendo que esse ciclo novo é necessário. Preciso focar no trabalho, preciso sossegar o facho e adoro que isso aconteça. Estou com 24 anos, é hora de crescer, de ganhar e guardar dinheiro, de viajar, de namorar. Isso tudo é maravilhoso. Mas seria ainda mais se tivesse Cuiabá e iQ aqui comigo. Porém, se estivessem aqui comigo, será que conseguiria alçar todos esses novos vôos?

Minha terapeuta comenta que estou finalmente amadurecendo e entendendo o que é ser adulto. Um pouco tarde. Já sou muito precoce para algumas coisas, mas para coisas básicas agia muito como criança. Tudo mudou. Postura nova com a ausência deles. Sinal de que é hora de mudar a pauta e deixar que eles acompanhem de longe, enquanto eu os acompanho de longe na nova fase deles.

Lembro de uma das últimas vezes em que estivemos juntos os três. Foi no show da Madonna e foi fantástico. Só que não deu para curtir por completo, já que o foco era outro, o foco era ela. O momento verdadeiro que tenho em mente foi na formatura de iQ, uns dois meses antes. Incrível. Não lembro de ter me divertido tanto, bebido tanto. Eu vomitei para continuar bebendo, nunca tinha feito isso na vida, e quando acordei no outro dia, tinha pulado tanto que nem a ressaca me pegou.

Isso sem contar o corte no queixo da qual trago, feliz, a cicatriz. Símbolo desse último momento de nós três. Símbolo de um tombo indolor no meio da pista de dança (cheio de significados) e de uma ajuda para levantar e abraço de iQ (a camisa dele ficou ensopada de sangue). Nem percebemos. Foram os outros convidados dele que perceberam.

Também lembro da útima Bubu com cada um deles individualmente. Com Cuiabá foi a mais tempo, foi num sábado se não me engano, o que é raríssimo no nosso caso. Com iQ foi no fim-de-semana da morte de Michael Jackson, com um dos setlists mais incríveis desde que começamos a freqüentar a casa. Estava tão divertido e, de certa forma, eu sabia que talvez seria a última Bubu.

Desde então nunca mais pisei lá.

Engraçado como que, antes das minhas férias do trabalho deste ano, minha ex-chefa (e uma das melhores amigas atuais) deu uma festinha na casa dela de despedida e mandou chamar, inclusive, Mari e iQ. Ele insistiu muito para irmos na Bubu naquele dia e eu não quis. Ele foi sozinho e foi assaltado na volta. Se eu tivesse ido, provavelmente isso não teria acontecido. Provavelmente ele ainda estaria aqui.

Mais uma vez Deus escreve certo por linhas tortas.

Não era para eu estar lá. Era para ele ser assaltado. Era para ele querer voltar.

Assim como era para Cuiabá estressar após ter me colocado na mesma empresa que ele trabalhava.

Assim como era para eu estar vivendo esse momento aqui, sozinho.

Todos vocês meus amigos, nessa mesma faixa que eu, entendam uma coisa: estamos crescendo.

É melancólico em alguns momentos, é assustador em outros, é extremamente engraçado também, cheio de revelações.

Mas mais importante que tudo isso: é um dos movimentos mais lindos de descoberta que a vida pode proporcionar.

Saudade do nosso trio dinâmico ;-)! Ele ainda existe dentro do peito.

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11 comentários:

Fabiano (LicoSp) disse...

A vida é um conjunto de ciclos e cada um deles com suas nuances. O importante é não esquecer os bons momentos q viveram juntos e não perderem o contato por completo.

abs

J. M. disse...

Ai...fiquei triste ao ler este post, Mike. Relembrar de pessoas que fazem parte de nossas vidas mas que não podem continuar conosco é complicado. Engraçado que estou passando justamente pelo mesmo que você: faculdade acabou, todo mundo seguiu seu caminho, e eu estou querendo seguir o meu, longe da família, de muitos dos amigos, da minha realidade. Tudo indica que em janeiro eu desembarco em São Paulo, e diante dessa visão trágico-feliz que você coloca da cidade, fico com medo. Mas já não posso mais desistir. Agora tenho que ir. E ver no que vai dar. Abração, e saudades de vc.

FOXX disse...

é
é bom ter amigos dos quais sentir saudades
por falar nisso, saudade de vc

Anônimo disse...

Mike, você escreve bem, mas esse discurso vindo de um jovem de 24 anos é assustador. Ou você é muito fâ de almodovar, ou tem uma tendência à depressão assustadora. Espero que seja fã de almodovar. Abs.

Anônimo disse...

Mike, você escreve bem, mas esse discurso vindo de um jovem de 24 anos é assustador. Ou você é muito fâ de almodovar, ou tem uma tendência à depressão assustadora. Espero que seja fã de almodovar. Abs.

Anônimo disse...

Amor da minha vida!

To sentindo que to crescendo também (entrego meu TCC semana que vem, por exemplo!)... rsrsrs

Todos os dias eu tento me convercer que no ano que vem a vida vai ser completamente diferente: vou arranjar tempo pra academia, vou conseguir ver mais os meus amigos... Essas coisas.

Se eu vou conseguir fazer isso tudo mesmo eu não tenho a menor idéia...
Mas uma coisa é fato: troco a esteira do dia por 45mim de papo com você!

Saudades!

Sophs

André Mans disse...

eu tb já tive meu trio dinâmico
éramos os 3 Fab, eu, shel e rique
só sobrou o rique pois a shel casou e sabe como é sapatão? hahahaha

bjão e viva o crescimento!
e realmente são paulo te engole

Silvana Nunes .'. disse...

Navegando sem ruma com a intenção de divulgar o meu blog, cheguei até você e gostei do que vi, tanto que pretendo voltar mais vezes. No momento estou impedida de fazer leituras muito extensas, pois a claridade da tela do computador está prejudicando um pouco a minha visão, devo tomar cuidado. Em breve resolverei esse problema. Bem, já que estou aqui aproveito para convidar a conhecer FOI DESSE JEITO QUE EU OUVI DIZER... em http://www.silnunesprof.blogspot.com
Eu como professora e pesquisadora acredito num mundo melhor através do exercício da leitura e enauqnto eu existir, vou lutar para que os meus ideiais não se percam.
Se gostar da minha proposta, siga-me.
Por hoje fico por aqui, Espero nos tornarmos bons amigos.
Que a PAZ e o BEM te acompanhem sempre.
Saudações Florestais !

Pleiba disse...

Ae brother
Na vida é assim mesmo...
Ele vem e vão... mas existe aquele que são amigos de verdade, esses ficam
Abço brother

LiCypriano disse...

Nossa, eu "sobrei da primeira fase"...

Candy disse...

Emo.cionei... =B