segunda-feira, 9 de novembro de 2009

For Real

A vida toda eu desabafei por aqui e só porque agora estou namorando um blogueiro cheguei a cogitar parar de postar. É natural que se pense assim, levando em consideração o espaço extremamente pessoal que é este blog (ainda que aberto ao julgamento público), mas como tudo isso é extremamente novo para mim, decidi mais uma vez me render e jogar as angústias para cá. Sempre funciona depois, sempre me sinto melhor, então acho que não é hora de parar.

Depois de sete anos de amizade, uma amizade intensa, g.boy veio para São Paulo e finalmente nos encontramos. Sete anos depois! Eu abri este blog por causa do blog dele! Eu já conhecia aquele rosto de cor e salteado, tenho muitas fotos dele desde quando tínhamos apenas 17 anos e conversávamos pelo MSN por horas. Inúmeros posts escrevi falando dele nos quase sete anos de blog, e ele fez o mesmo.

Nossa amizade sempre foi deliciosa, era uma coisa mais de afeto e cumplicidade. Nunca fizemos putaria nenhuma por webcam e agregados e nunca nos consideramos (tirando um comentário aqui e ali) namorados virtuais. Acho que nós dois nunca acreditamos muito nisso.

A questão é que ele sempre foi mais pró-ativo do que eu nesse lance da gente se encontrar. Quando ainda morava na cidade menor ele chegou a ir com amigos na cidade maior e eu mesmo logo arrumei algo para fazer só para não encontrá-lo. Eu tinha muito medo. Nossa relação, por internet e telefone, era incrível. Será que resistiria ao encontro?

Eu sabia que não. Talvez não por ele, mas por mim. Pessoalmente, sou uma pessoa muito extrovertida, ousada, atirada, sem pregas na língua, sem filtro. Mas, por incrível que pareça, sou incrivelmente tímido e a beleza dele sempre me deixava um pouco inseguro sobre o que sentiria. Conhecia o seu interior, conhecia sua capacidade de se relacionar comigo, era fissurado naquele cara e ter ele tão próximo, envolver sentidos extras que não apenas visão e audição, me conhecendo do jeito que me conheço, sei que ia dar merda.

No entanto, naquela terça-feira, dia 20 de outubro, exatos dois anos após o término definitivo do meu relacionamento com A., quando ele me disse que viria para São Paulo, não tive outra escolha senão oferecer minha casa. Pela primeira vez fiz aquilo sem pensar. Não estava com medo. No fundo, eu precisava da presença dele. Ele era uma das poucas referências do que eu precisava naquele momento. O tipo de amigo que ele representava. Era aquilo ali mesmo que eu queria.

Apesar do combinado (ele ia dormir em casa do domingo para segunda), ele chegou antes, no sábado. Fui pegar ele de carro em um posto de gasolina perto do metrô (o bonitão quis dar um de independente e se perdeu) e diferente de quase 100% dos encontros do gênero, ele era exatamente o que eu conhecia dele. Quando o vi de pé, ao vivo, me esperando, aqueles olhos claros, aquele sorriso meio perdido, meio assustado com o volume de carros, meio que me constatando também, sabia que estava do lado de um amigo.

Ele entrou no carro e eu desatei a falar. Falei, falei, falei... Entramos na garagem do prédio, falei, falei, falei... Entramos no apartamento, falei, falei... E ele me esperando para um abraço, de pé, daquele que demoramos tanto para dar. Finalmente ele estava ali, de carne e osso. Finalmente eu estava ali, de carne e osso.

E ele conheceu meu irmão. Assim que ele virava as costas meu irmão já me olhava com aquele olhar de "Meu Deus do Céu, o que é isso que você trouxe aqui para casa!". E cada comentário ou indireta dele, cada vez que ele sutilmente elogiava meu sorriso, meu irmão me olhava com admiração. Algo como "então você conhece caras que prestam também, não só idiotas como o A.".

Meu irmão sempre odiou todos os caras que eu tinha algo. A. especialmente. g.boy era a primeira aprovação histórica. Bem o cara que eu NÃO estava pegando.

Apesar de planos para ir à Bubu, acabamos boicotando a balada e ficamos conversando, nós dois no quarto, até as cinco da manhã.

Completamente bizarro, diga-se de passagem.

Bizarro porque aquela euforia e desconforto de conhecer alguém pessoalmente que você já se relacionava on-line não aconteceu. Bizarro porque conversávamos num fluxo contínuo e nem vimos a hora passar. Simplesmente esquecemos de comer, de ir para a balada. Eu estava com a roupa da balada! E mais bizarro ainda porque da hora que eu vi aquele sorriso no posto de gasolina em diante eu senti o mesmo que senti quando vi a foto dele pessoalmente.

Na época eu era um menino caipira de 17 anos.

Virei novamente esse menino caipira.

E fiquei hipnotizado pelo jeito dele, pelos olhos dele, pelo sorriso dele. Ficamos na cama conversando até cair no sono. Ele pegou no sono antes de mim e eu aproveitei aquele momento para o ver dormir, refletir sobre o quão importante ele tinha sido em uma fase inteira da minha adolescência. Quer dizer, eu tentei fazer isso, né? Tudo que eu queria era dar um beijo nele ali mesmo, mas sei lá, achei melhor evitar.

Estava inseguro. Tinha medo de arruinar tudo aquilo que a gente construiu, a confiança que a gente tinha um no outro, a ilha segura que éramos quando precisávamos correr.

No outro dia tudo maravilhoso. Almoçamos no América (meu irmão, g.boy e eu), passamos pela Fnac, depois Shopping Iguatemi, ele me pagou um sorvete, meu irmão foi embora, assistimos um filme no cinema (e eu, bobão, guardei os ingressos ;-P) e até então só conversávamos. Aquela altura estava completamente entregue. Cada vez que o telefone dele tocava, algum amigo de São Paulo o chamando para fazer algo, meu coração pulava, me sentia desconcertado. Não queria que ele fosse, queria que ele ficasse comigo. Mas ao mesmo tempo sabia que ele não vinha sempre para cá e que ele tinha que sair, viver um pouco de São Paulo.

Então guardava tudo no peito. Quieto.

A noite, nós dois nos quartos, ele me perguntou se eu me importava dele sair com os amigos e eu disse que não (mentira!) e depois ele começou a mexer nas minhas fotos e juntos fizemos um tour por quase seis mil fotos. Ele ia tudo atentamente. Eu dizia que aquilo tudo era um saco, ele me contava que sempre tivera curiosidade de ver tudo aquilo.

As amigas do meu irmão estavam em casa e, quando via ele, me olhavam questionando se eu tinha ficado com ele. Quando eu dizia que não, que era apenas um velho amigo, elas ficavam inconformadas. Até g.boy entrar na sala e elas abrirem aquele sorriso como quem discute amenidades. E de repente ele me diz que resolveu não ir, que resolveu ficar em casa, que estava cansado. Que queria só deitar e conversar.

Ao longo desse mesmo dia ele recebeu a notícia de que só precisava voltar na terça. Ficaria mais um dia em casa.

Deitamos na cama e continuamos a conversa. E viajamos, fomos muito longe. Lembramos da infância, da primeira vez que vimos a foto um do outro, de como imaginávamos aquele encontro, como fantasiamos mais de uma vez e como um dia chegamos a achar que talvez nunca acontecesse. E caímos no sono novamente, na mesma cama, enquanto conversávamos.

De madrugada eu despertei. Estávamos abraçados. Meu coração bateu forte. Em um segundo passou tudo pela minha cabeça. O rosto dele estava tão próximo, a perna dele enganchada na minha, eu deitado com a cabeça sobre o braço dele e jogando meu braço sobre o corpo dele. Era tão inocente. Ele respirava fundo, ainda estava dormindo.

E de repente senti, mais forte do que nunca, uma sensação muito estranha. Tinha sentido isso com 17 anos quando abri aquele primeiro e-mail com foto, tinha sentido isso quando o vi perdido naquele posto. Tinha sentido isso em alguns momentos ao longo do fim-de-semana. Um magnetismo, algo me puxava para ele, eu queria abraçar ele, eu queria beijá-lo, queria saber que gosto tinha.

Não era sexual. Era outra coisa.

Meu coração disparou. Pensei nas conseqüências. E se ele não quisesse? E se ele me empurrasse. E se aquilo tudo acabasse com sete anos de amizade. Círculo de confiança quebrado. E agora, MEU DEUS, e agora?

E de repente eu percebi que aquela amizade já estava destruída. Poxa vida! Eu estava abraçado com ele. Estava vestindo apenas cueca e camiseta. O nariz dele encostava-se ao meu. Tudo que não tivemos coragem de fazer enquanto acordados o subconsciente fez durante o sono. Mas para o próximo passo acontecer, somente acordado. Decidi naquela hora que se não tomasse uma atitude, iria me arrepender pelo resto da vida. A hipótese de não fazer nada simplesmente evaporou da minha mente. Eu queria. Eu simplesmente PRECISAVA sentir a boca dele.

E de repente a respiração dele mudou. Ele tinha despertado também. Sem abrir os olhos ele manteve a cabeça dele exatamente onde estava.

Eu fiz um movimento leve, a cabeça dele pendeu e ficou mais próxima.

Eu aproximei meu nariz do rosto dele e puxei forte o ar. Senti o seu cheirinho adocicado, meu corpo todo arrepiava.

Beijei-o de leve perto da boca, ainda com os olhos fechados. E senti seu cheiro novamente, e outro beijinho dele leve em seu rosto.

E ele continou ali, imóvel.

Então eu cheguei bem perto e beijei sua boca de leve. Ele abriu os lábios e retribuiu o beijo. E de repente estávamos nos beijando, não tinha mais nada na minha cabeça. Durante dois ou três minutos o beijo cresceu e se tornou numa corrida. Uma corrida em busca de sete anos perdidos. Foi isso que eu senti: sete anos eu guardei aquele beijo. Foi um dos melhores beijos que já dei em alguém. Quando aqueles dois minutos acabaram, nos olhamos.

Eu estava apaixonado.

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Dali em diante muita coisa aconteceu. Não transamos naquele fim-de-semana. Nem chegamos perto! E eu fui para a cidade dele no fim-de-semana seguinte e começamos a namorar. E somente dois dias depois que conversamos sobre o namoro finalmente transamos.

Tudo muito diferente de todos os meus relacionamentos anteriores. O g.boy era familiar. Eu o conhecia, conhecia as etapas que ele tinha passado, sua beleza incrível, seu talento nato e sua vontade de trabalhar incansavelmente, de conquistar cada vez mais. Isso tudo o torna extremamente atraente para mim e agora estamos descobrindo os defeitos um do outro.

Confesso que essa fase, para mim, está sendo mais difícil. Sinto que ele lida melhor com a situação, ele é mais maduro que eu e já namorou à distância. Eu nem considerava essa hipótese, não acreditava nisso até "conhecer" ele. Depois que eu o conheci, simplesmente esse era o único caminho viável, não imaginava continuar minha vida aqui em São Paulo e ele lá. Eu estava fisgado. Minha sorte foi que ele também estava apaixonado.

Agora é assim que eu passo os dias. A gente se fala duas vezes por dia. Ele é chef num restaurante de lá e trabalha naqueles esquemas de restaurante, então estamos ajustando as datas de quando ele vem para cá e eu vou para lá. O mais difícil é não ver ele no fim do dia, porque sinto que temos uma ligação diferente. Nos outros relacionamentos, o fim do dia é um "job". Tem que chegar, tem que ser interessante, tem que ser incrível, tem que querer gastar uma fortuna e comer em algum lugar... Com ele não tem disso. A gente está cansado? A gente descansa. A gente quer assistir Friends, a gente assiste. A gente quer transar, a gente transa.

As poucas coisas que me incomodam é não ver todo dia (mas isso é condição nesse relacionamento e eu estou disposto a obedecer, já que temos a mesma idade e estamos em busca de crescer, ou seja, tanto ele é super ocupado lá quanto eu sou aqui) e as minhas ações. Às vezes sinto que sou meloso demais, ele se segura mais, é mais centrado que eu. Eu não quero ser tão meloso porque sinto que às vezes isso pesa. E não quero que ele se sinta pressionado, de maneira nenhuma. Combinamos em ter um namoro tranqüilo e o mais “cuca fresca” possível, pelo menos enquanto ele estiver por lá (ele sempre teve planos de vir para São Paulo), mas a saudade dói no peito, confesso.

Mas eu, bom, italianão, gosta da casa cheia, fala gritando, fala palavrão, imagina só! No último dia meu lá na cidade dele, quando terminei de arrumar a mala e o vi na cama, ainda me olhando, ao lado de toda a bagagem pronta para ser levada, enchi os olhos de lágrimas. Fim-de-semana incrível. It was over! Ele é muito mais maduro que eu, me abraçava e me pedia calma. Eu não fiz dramalhão, não fiquei chorando aos berros. Simplesmente me apoiei na janela e fumei um último cigarro em silêncio. Ele ficou ali me observando.

MAS POR QUÊ, MEU DEUS, EU TINHA QUE CHORAR SENDO QUE EM TODOS OS NAMOROS EU SEMPRE FUI UMA PEDRA!

Simples. Acho que dessa vez, it's for real.

13 comentários:

J. M. disse...

Meu Deus, porque vocês, meus amigos do Blog insistem em reacender um eu romantico que está adormecido já faz algum tempo? Fico todo bobo quando leio uma história dessas, e começo a sonhar, e começo a rir sozinho, a vibrar, enfim, EU SURTO! Não vou aqui emitir minha opinião sobre namoro a distância porque cada caso é um caso. Mas estou na torcida para que tudo dê mais que certo! E ei, estou em SP em janeiro e ficarei proximo da BuBu. Pelo visto você mora perto tb. Espero poder te encontrar, Grande Mike! Abração!!!!

Fabiano (LicoSp) disse...

Eu posso dizer que tenho boa experiencia em namoros a distancia. Namorei praticamente 6 dos 9 anos nesta modalidade e vou t dizer q é dificil, mas se rola amor e principalmente confiança então tudo vai pra frente.

Qto a vida privada online, eu tive de abrir mao de alguns detalhes no blog, depois q comecei a namorar pq meu namo sabe da existencia dele e as vezes prefiro não falar coisas que possam magoa-lo. Alias, não só ele, mas amigos tb... infelizmente as pessoas não sabem separar uma coisa da outra, mas vamos levando.

bjs e felicidades :)

Candy disse...

Mike!! Eu fiquei todo arrepiado lendo essa história. Como sempre, o que você escreve sempre me emociona e me motiva... Espero que você esteja feliz com seu relacionamento, porque eu estou... RsRsRs... E aguenta firme essa saudade... No fim, tudo compensa...

Bjos!!

FOXX disse...

q lindo
q lindo
q lindo

mto obrigado por dividir isso com a gente, mike
mto obrigado mesmo

Sophia disse...

Amore, tô torcendo super por esse namoro!!!

Te amo!

[mega] Paulo Mamedes disse...

Quando eu leio o que vc escreveu parece que eu estou ouvindo vc falando sabe...

Eh mto louco isso.

Beijos.

Kaka disse...

Puxa!!! Com uma história dessa não tem como chorar ao sair para ir embora, pois lendo a gente já chora de tão lindo!

E, é maravilhoso ler estórias assim para podermos reascender a esperanança de que podemos encontrar alguém especial, pela net ou pela vida mesmo!

Parabéns pelo namorado! E que seja abençoado a cada dia!

Beijo

LiCypriano disse...

Ah, eu não sou mto de dar conselhos, mas se eu pudesse te dar um, com certeza seria: Permita-se! =)
Eu daqui continuo torcendo, sempre.

Gustavo disse...

OH MY GODDDD!!!

Que bonitooooo, aih genten, eu falo, o mundo é lindo SIM rsrs!!

Uma benção beeeem grandeeee nesse namoro e ó distancia é tudooooo rsrs!!!

Bjunda Mike

Lú - RJ disse...

Felicíssimo por vcs! Feliz por vc ter partilhado isso conosco.

Os dois blogueiros q mais admiro...Juntos! Não tenho palavras, o post está maravilhoso e eu fiquei tentando imaginar como td foi acontecendo!

Estou na torcida por vcs! E estou muito contente!

Felicidades aos dois! Vcs merecem!

Bj grande!

.: Denise :. disse...

aaaaaaaai q lindo!!!
eu vivo um caso muuuuito parecido com o seu, mto mesmo!!! Só não deu tão certo ainda qto o seu, mas espero q dê em breve.
e..eu tb me derreto toda! Pq a gente tem q ser assim?! ehehe

bjão e toda sorte do mundo pra vc e pro gboy!!!

Alexandre Lucas disse...

Um dia é da caça...

Leandro K. disse...

coisa fofa amadurecer =)